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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pedágio urbano na Grande São Paulo não está descartado

Opinião é dos deputados estaduais Carlos Gianazzi e Rui Falcão. Se Estado insistir no projeto, Osasco pode ter pedágios até na Autonomistas

Guilherme Lisboa e Vanessa Dainesi

O polêmico projeto de implantação de pedágio urbano em 39 cidades da região Metropolitana de São Paulo pode ser reapresentado pelo governador José Serra (PSDB) à Assembléia Legislativa do Estado. Os deputados estaduais Carlos Gianazzi (PSOL) e Rui Falcão (PT), que promoveram a audiência pública ‘Pedágio Não’ na semana passada, acreditam que o governo pode não ter desistido da idéia e que o governador pode inserir a proposta através de novo texto, a ser apresentado em momento mais oportuno, após ‘os ânimos se acalmarem’.
“Toda política do governo do Estado na área de transportes é fazer recair sobre os usuários as construções e melhorias de estradas, e não seria diferente nesse caso”, pondera Falcão. Ele acredita que assim como o prefeito da Capital Gilberto Kassab (DEM) tentou instituir o pedágio urbano em duas ocasiões, Serra (‘padrinho político’ de Kassab) também vai fazer nova investida.
Deputado estadual Carlos Gianazzi
Foto: Edson Dário
Já Carlos Gianazzi destacou que o plano não deve ter sido descartado porque a atual gestão possui postura privatista. “O governador Serra é como uma serpente: faz o recuo para depois atacar novamente. Então cuidado com o governador: ele é louquinho para privatizar. A obsessão do governador Serra é privatizar equipamentos públicos e estradas”, disse.

O deputado Rui Falcão avalia que, na prática, o pedágio urbano já existe, pois o governo não cumpre a lei que proíbe a instalação de praças de cobrança no raio de 35 km a partir da Praça da Sé, na Capital. “O pedágio urbano também é o que está na Anhangüera e os que estão no Rodoanel. Eles estão dentro das cidades”, enfatizou.

Versão resumida de matéria publicada no Diário da Região em 10/06/09. Leia na íntegra: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=33421&search=deputados%20assembléia

terça-feira, 9 de junho de 2009

FHC defende pedágios do Rodoanel

Ex-presidente estava na inauguração de trecho da via expressa, em 2002, quando Covas prometeu que rodovia não seria pedagiada

Guilherme Lisboa e Vanessa Dainesi

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) esteve em Cotia, no último sábado, onde participou de um encontro com militantes tucanos da região. Em entrevista ao Diário, FHC defendeu a implantação dos pedágios do trecho Oeste do Rodoanel, alegando que atualmente o país vive novo momento e que a concessão se tornou necessária.

“Não só São Paulo, mas o mundo inteiro evoluiu muito e precisa de mais recursos para a realização de mais obras. Todos precisam entender isso”, alegou, ressaltando as dificuldades para obtenção de verbas. “O dinheiro não aparece do nada e alguém precisa pagar. Então é melhor pagar quem usa, do que quem não usa”, completou.

Ao ser questionado sobre a ‘fama’ do PSDB como 'partido dos pedágios' e legenda que 'adora privatizar tudo', FHC aproveitou para alfinetar o governo petista. “Eles acabaram de fazer a concessão de estradas em Minas Gerais, do que eles estão falando? O governo do PT faz a mesma coisa. Isso é conversa de quem está na oposição”, garantiu, dizendo em seguida que o PSDB nunca fez concessões sem motivo. “Não é privatizar tudo, mas privatizar aquilo que é necessário”, justificou-se.

Versão resumida de matéria publicada no Diário da Região em 09/06/09. Leia na íntegra: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=33364&search=fhc%20cotia

quarta-feira, 25 de março de 2009

Deputado Celso Giglio diz que pediu para Serra desistir de pedágio urbano

Guilherme Lisboa

O deputado estadual Celso Giglio (PSDB) afirmou que solicitou ao governador José Serra (PSDB) que ele desistisse da idéia de implantar pedágio urbano nas 39 cidades da região Metropolitana de São Paulo (incluindo Baixada Santista e região de Campinas). A medida estava prevista em artigo incluso dentro de um “pacotão” de ações para diminuir a poluição do ar na região e foi encaminhado pelo governo, no mês passado, para votação na Assembléia Legislativa do Estado.

Segundo Giglio, além das críticas da oposição e da repercussão negativa na imprensa, um dos motivos que levou o governador Serra a retirar a proposta, poucos dias depois de enviá-la, foi um pedido feito pela própria bancada parlamentar tucana. “O Serra atendeu as ponderações de seu grupo político. Nós nos manifestamos e ele retirou aquele ponto”, revelou Giglio. Ele se referia à ordem dada por Serra ao ex-líder do governo na Casa, o deputado estadual Barros Munhoz, para que ele apresentasse emenda pedindo a supressão do artigo sobre o pedágio urbano.

Para Giglio, Serra deveria pensar em alternativas para resolver os problemas do trânsito no Estado, sem ter que recorrer a medidas deste tipo. “Temos que buscar outras saídas tanto para o trânsito quanto para a poluição. Eu sou contrário ao pedagiamento de região metropolitana, e embora grandes países já usem este expediente, acho que nós não temos condições para isso”, argumentou.

Versão resumida de matéria publicada no Diário da Região em 25/03/09. Leia na íntegra: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=30951&search=giglio%20pedágio%20urbano

sexta-feira, 6 de março de 2009

"Pedágio urbano é factóide", diz Serra

Governador negou ter apresentado medida que prevê implantação de pedágio em 39 cidades da região Metropolitana, apesar de projeto ter tramitado na Assembléia Legislativa

Guilherme Lisboa


Foto: divulgação
O governador José Serra (PSDB) afirmou que não enviou para a Assembléia Legislativa do Estado o projeto para a adoção de pedágio urbano na região Metropolitana de São Paulo. A declaração foi feita ontem, durante visita a Santana de Parnaíba, onde inaugurou uma unidade da Etec. “Nunca houve projeto de pedágio urbano”, disparou o tucano, ao ser questionado sobre a possibilidade de reapresentação do projeto. “Isso é factóide e, portanto, não posso reapresentar o que nunca foi apresentado”, rebateu.

Apesar de negar a existência da medida, o projeto se tornou de conhecimento público no mês passado e foi manchete dos principais jornais. Diversos deputados estaduais questionaram a proposta, que foi enviada pelo governo do Estado dentro de um “pacotão” de intervenções para melhorar a qualidade do ar na região Metropolitana.

Por conta da repercussão negativa, na época, o governador ordenou ao líder do governo na Assembléia, Barros Munhoz (PSDB), que ele apresentasse uma emenda ao projeto, pedindo a supressão do artigo que trata da cobrança urbana.

Foi o próprio deputado que revelou ter recebido a ordem, em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, e disse, inclusive, que apesar do recuo, a idéia pode não ter sido abandonada pelo governador, que pode reenviar o projeto. O deputado disse que Serra, ao falar da polêmica causada, afirmou que “a discussão está se fazendo sobre o acessório, que é o pedágio”, quando o que deveria estar em foco era “tratar da questão ambiental”.

Caso Serra insista no pedágio urbano, a circulação nas principais vias de ligação entre os municípios da Grande São Paulo passará a ser tarifada. Ao todo, contando com a Baixada Santista e Campinas, 39 cidades teriam praças de cobrança no viário público, como acontece hoje nas rodovias. Aqui na região, poderiam sofrer cobrança a avenida dos Autonomistas e as avenidas que compõem o Corredor Oeste, que passa por Itapevi, Barueri, Jandira e Carapicuíba.

Matéria publicada no Diário da Região em 06/03/09: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=30328&search=pedágio%20guilherme%20lisboa

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Para deputado, Serra deve reapresentar pedágio urbano

Marcos Martins criticou o que chamou de “ânsia por cobrar pedágios” do Governo do Estado, e negou a falência do movimento parlamentar que combateu a cobrança no Rodoanel

Guilherme Lisboa

Após receber fortes críticas, o governador José Serra (PSDB) recuou da intenção de implantar pedágio urbano em 39 cidades da região Metropolitana de São Paulo (incluindo Campinas e Baixada Santista), mas a polêmica continua, já que existe a possibilidade do projeto ser reapresentado pelo tucano. O deputado estadual Marcos Martins (PT) acredita que o governo não desistiu da idéia, que deve ser trabalhada novamente quando os ânimos se acalmarem.

“O Governo do Estado tem uma ânsia muito grande de cobrar pedágios da população. Hoje as tarifas de São Paulo são as mais caras do país”, acusa o deputado. “Por isso, é perfeitamente possível que o Serra reapresente este projeto separado”, completa. A medida havia sido apresentada através de artigo incluído em um “pacotão” de ações para a diminuição da emissão de poluentes no ar, enviado à Assembléia Legislativa do Estado.


Deputado estadual Marcos Martins
Foto: Edson Dário

Para Martins, a ordem dada pelo governador para a supressão apenas deste artigo foi fruto da repercussão negativa entre os prefeitos e secretários de Transporte das cidades afetadas pela medida, além da reação da população e da pressão exercida pela bancada de deputados da oposição. “Com certeza, o governo fez uma aferição e viu que a medida não era muito simpática para quem está pensando em disputar eleições”, afirma Martins, referindo-se à intenção do governador José Serra de se candidatar a presidente em 2010.

O próprio líder do governo na Assembléia, Barros Munhoz (PSDB), incumbido por Serra de apresentar uma emenda para a supressão do artigo, afirmou que a intenção de implantar o pedágio urbano pode não ter sido abandonada de vez pelo governador, que considera a medida como “acessória”.

Versão resumida de matéria publicada no Diário da Região em 17/02/09. Leia na íntegra: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=29989&search=pedágio%20guilherme%20lisboa

Prefeito de Osasco critica pedágio urbano

Prefeito de Osasco, Emidio de Souza
Foto: Edson Dário
Guilherme Lisboa

O prefeito Emidio de Souza reclamou da intenção do governador José Serra de implantar pedágio urbano em toda a região Metropolitana. Para ele, antes de pensar em medidas deste porte, o governo deveria executar melhorias no transporte público, por exemplo.

“Além de não encontrar soluções de expansão do sistema viário, as soluções que o Serra encontra são de pedagiamento, como aconteceu com o Rodoanel”, criticou, durante o 42º Fórum Paulista de Transporte e Trânsito, na última quinta-feira. “Pedagiar a ida da Capital para Osasco, São Bernardo ou Guarulhos, por exemplo, é uma medida extrema, e é evidente que isso vai causar um problema extremo na mobilidade urbana”, afirmou.

Além disso, Emidio comentou o impacto do rodízio ampliado para as cidades envolvidas, e disse que não é contrário à medida por princípio político. Mas ressaltou que a iniciativa também deveria ser precedida de melhorias profundas no transporte coletivo. “Só endurecer não dá. Antes de vir com essa medida [rodízio ampliado] precisa fazer, por exemplo, o metrô chegar a Osasco”, concluiu.

Matéria publicada no Diário da Região em 17/02/09: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=29989&search=pedágio%20guilherme%20lisboa

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Serra volta atrás e desiste de pedágio urbano na Grande SP

Governador recuou após fortes críticas e ordenou a retirada de artigo do “pacotão” que ainda prevê a adoção de rodízio em 39 cidades. Região já se prepara para contestar medidas

Guilherme Lisboa

Foto: Edson Dário
A repercussão negativa causada após o anúncio do projeto, enviado pelo governo estadual à Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, que prevê a implantação de pedágio urbano nos municípios da região Metropolitana, levou o governador José Serra a desistir da proposta. Sob fortes críticas, e preocupado em poupar a sua imagem, por causa da aproximação da disputa pelo Palácio do Planalto, o tucano ordenou ao líder do governo na Assembléia, Barros Munhoz (PSDB), que ele apresente uma emenda para suprimir o artigo que trata da cobrança.

O pedágio urbano virou tema de discussão durante a disputa pela prefeitura da Capital, quando foi denunciado o envio de projeto semelhante, pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), para a Câmara Municipal da cidade. O democrata, que antes era vice na chapa do prefeito eleito Serra, e que assumiu a administração quando o tucano deixou o cargo para se candidatar ao governo do Estado, também retirou o projeto após virar alvo de críticas.

Com o “novo” pedágio apresentado pelo governo, a circulação nas principais ruas e vias de ligação entre os municípios da Grande São Paulo passaria a ser tarifada. Ao todo, contando com a Baixada Santista e Campinas, 39 cidades teriam praças de cobrança em vias públicas, como acontece hoje nas rodovias. Aqui na região, por exemplo, poderiam sofrer cobrança a avenida dos Autonomistas e outras vias que formam o Corredor Oeste, que passa por Itapevi, Barueri, Jandira e Carapicuíba.

“Esta cobrança seria ilegal”, acusa Valdir Fernandes, coordenador do Movimento Rodoanel Livre, que luta contra a cobrança de pedágio na rodovia. “É uma bitributação, pois já pagamos a Cide (Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico) embutida no preço da gasolina e do licenciamento, com a finalidade de garantir a infra-estrutura viária, além da tarifa inclusa, para esse mesmo fim, no IPVA”, argumenta.

Além da tarifação em duplicidade, ele destaca a contradição jurídica na aprovação, pelo governador Serra, da instalação de praças de cobrança a menos de 35 km da Praça da Sé, o que é proibido por lei, e que se repetiria com os pedágios urbanos. “Infelizmente, já se tornou uma prática do Serra passar por cima das leis”, dispara.

O movimento é composto por sindicalistas e políticos da região, como o deputado estadual Marcos Martins (PT). Para ele, o artigo quase passou despercebido “por trás de um projeto cheio de argumentos”. “O pedágio urbano vai prejudicar a população, que será penalizada. No transporte de cargas, ele encarece produtos e gera problemas no escoamento de mercadorias de todos os tipos, inclusive, as essenciais”, ressalta o deputado.

Projeto pode voltar
Apesar do recuo, Munhoz não confirmou se a idéia foi abandonada de vez ou se Serra pretende reapresentá-la em outra ocasião, quando a poeira abaixar. Ele disse para o jornal Folha de S.Paulo, em matéria publicada ontem, que, para Serra, “a discussão está se fazendo sobre o acessório, que é o pedágio” e o que deveria estar em foco é “tratar da questão ambiental”.

O texto apresentado à Assembléia faz parte da Política Estadual de Mudanças Climáticas, e inclui medidas para reduzir a emissão de poluentes no Estado. Na visão do governo, a cobrança de tarifa, antes justificada pela necessidade de reduzir congestionamentos e melhorar a malha viária, agora se tornou “questão ambiental”. Tanto é que o responsável pela elaboração do “pacotão” de medidas é o secretário de Estado do Meio Ambiente, Xico Graziano.

Matéria publicada no Diário da Região em 11/02/09. Leia na íntegra: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=29819&search=pedágio%20guilherme%20lisboa

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Osasco adota plano para combater fluxo de veículos que fogem de pedágios da Castelo

Pacote de obras viárias também leva em conta expansão da cobrança na rodovia, que deve transformar a cidade ainda mais em “rota de fuga”

Guilherme Lisboa

A prefeitura de Osasco adotou uma espécie de plano para amenizar os prejuízos que a cidade vai sofrer após o início do funcionamento dos novos pedágios na rodovia Castelo Branco. O governador José Serra autorizou a extensão da cobrança para todas as pistas da rodovia, e os motoristas já vão começar a desembolsar suas moedas a partir de dezembro deste ano. Com base nesta data, a prefeitura antecipou o estudo de medidas para evitar a provável sobrecarga que será ocasionada pelos veículos que vão passar a “cortar” o município, a partir de então, para fugir do pedágio.

“Estamos elaborando um grande plano pensando no futuro da cidade, já que em dezembro começa o pedagiamento da Castelo inteira, o que não é segredo para ninguém”, destaca Waldyr Ribeiro Filho, secretário de Obras e Transportes. “Discutir a legalidade e a justiça da cobrança destes novos pedágios é coisa longa, mas, de qualquer forma, eles vão ficar muito próximos à entrada da cidade e, com certeza, isto vai trazer um grande transtorno aos municípios lindeiros à rodovia”, argumenta.

Foto: Edson Dário

Dentre os transtornos que as cidades vão sofrer, já que vão virar “rota de fuga”, está a aceleração do desgaste do asfalto das avenidas e ruas, o que vai gerar, para as prefeituras, despesas freqüentes com recapeamento. Além disso, já são esperados maiores congestionamentos e mais acidentes, o que implica na necessidade de novos fiscais de trânsito e em despesas com pronto-atendimento médico e policial.

Pacote de obras
O plano vai alterar boa parte do traçado urbano do município, incluindo intervenções de grande porte e também o alargamento de vias, com o objetivo de melhorar a fluidez do trânsito e já pensando nos prejuízos da futura sobrecarga.

Inicialmente, a prefeitura pretende eliminar alguns cruzamentos e semáforos. Dentre os pontos onde vão ocorrer estas intervenções está o trecho da avenida dos Autonomistas que vai receber o túnel. “Ainda está sendo botado no papel, mas é provável que ele seja construído em frente ao Teatro Municipal ou na Vila Yara”, conta Waldyr.

Versão resumida de matéria publicada no Diário da Região em 30/01/09. Leia na íntegra: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=29494&search=pedágio%20guilherme%20lisboa

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Concessionária vai lucrar R$ 2,16 trilhões com Rodoanel

Foto: Edson Dário

Montante da arrecadação, em 30 anos de contrato, é 864 vezes maior do que valor que será investido. E isso sem levar em conta os reajustes anuais do pedágio

Guilherme Lisboa


R$ 2,16 trilhões. Este é o valor que a concessionária RodoAnel, responsável pela administração do trecho Oeste do Rodoanel Mário Covas, vai embolsar com a cobrança do pedágio, durante os 30 anos de vigência do contrato de concessão. O pedágio começou a ser cobrado na última quarta-feira, com tarifa de R$ 1,20 para veículos simples. Já caminhões e ônibus pagam o mesmo valor por cada eixo que compõe o veículo.

O início da cobrança (em 13 praças de pedágio, implantadas em todos os acessos do trecho) foi marcado por lentidão no tráfego e por protestos, mas também foi marcado pelo anúncio do lucro diário da empresa com a arrecadação da tarifa: cerca de R$ 200 mil por dia. O trecho registra passagem diária de 145 mil veículos, sendo 78% de carros de passeio e o restante de caminhões e ônibus. Assim, a média de veículos multiplicada pela tarifa simples resulta em R$ 174 mil de arrecadação por dia, valor que atinge R$ 200 mil devido aos eixos excedentes dos veículos pesados.

Se os pedágios continuaram rendendo R$ 200 mil por dia, a concessionária vai lucrar R$ 6 milhões por mês. Isto significa R$ 72 milhões anualmente. E, levando em consideração os 30 anos de vigência do contrato de concessão, assinado entre a empresa e o Governo do Estado, o lucro salta para R$ 2,16 trilhões ao término das três décadas.

864 vezes mais
O cálculo que prevê a arrecadação de R$ 2,16 trilhões durante o período de concessão leva em conta o rendimento da tarifa atual. Considerando os reajustes anuais de pedágio, o valor total a ser embolsado pela empresa é muito mais alto.

Ainda assim, o valor é 864 vezes maior do que os valores pagos pela concessão e previstos para investimentos, que somam R$ 2,46 bilhões. A outorga pela concessão é de “apenas” R$ 2 bilhões, e pode ser paga para o Estado em até dois anos. Já os investimentos somam R$ 465 milhões em obras de melhoria dos acessos e dos pavimentos, além da construção de vias marginais e passarelas.

Dinheiro de quem?
A aprovação para a cobrança do pedágio, pelo governador José Serra (PSDB), ainda gera polêmica. Isso porque o tucano descumpriu a promessa do seu colega de partido, o ex-governador Mário Covas, de que o anel viário seria construído para interligar as principais rodovias estaduais com o critério de que não houvesse cobrança de pedágio.

Além de “esquecer” a promessa, a atual gestão propôs que a tarifa do pedágio fosse de R$ 4. Após manifestações de parlamentares, o governo recuou e apresentou a tarifa de R$ 3, mas durante o leilão o martelo foi batido em R$ 1,20.

Agora, a concessionária vai obter altos lucros com o pedágio no trecho Oeste do Rodoanel, que foi construído com dinheiro público. O trecho foi entregue em outubro de 2002, mas as obras começaram em 1998. A construção custou R$ 1,3 bilhão aos contribuintes, sendo R$ 902,5 milhões vindos dos cofres estaduais e R$ 397,5 milhões financiados pelo Governo Federal.

Matéria publicada no Diário da Região em 23/12/08: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=28636&search=pedágio%20guilherme%20lisboa

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Obras no Cebolão devem começar ainda em dezembro

ViaOeste assinou contrato com Artesp e já tem aval para iniciar obras, com término previsto para dezembro de 2009, nova data divulgada para início da cobrança ampliada

Guilherme Lisboa


A ViaOeste, concessionária responsável pela rodovia Castelo Branco, já tem carta branca para iniciar as obras do “pacote anti-congestionamento” no Cebolão, condição para o início da cobrança ampliada de pedágio em todas as pistas.

O anúncio foi realizado, ontem, pela Artesp (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo), órgão da Secretaria Estadual de Transportes responsável pelo controle dos programas de concessão. A agência confirmou a assinatura do termo de inclusão para a expansão da cobrança (espécie de contrato de concessão das pistas expressas).

Com isso, as obras devem ser iniciadas ainda este mês, e têm previsão de conclusão para dezembro de 2009. “O fim das obras em dezembro do ano que vem já é data certa, e quando isso acontecer, a concessionária pode executar a cobrança de imediato”, informou a assessoria da Artesp. A nova previsão antecipa em dois anos o pagamento de tarifa nas pistas centrais, o que era previsto inicialmente, pela ViaOeste, apenas para 2011.

Versão resumda de matéria publicada no Diário da Região em 19/12/08. Leia na íntegra: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=28577&search=pedágio%20guilherme%20lisboa

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

"Presente do governador Serra ao povo paulista: pedágios"

Essa era a inscrição das faixas utilizadas ontem em protesto contra pedágio no Rodoanel. Primeiro dia de cobrança teve muita lentidão e dez motoristas foram retidos por não possuirem dinheiro da tarifa

Guilherme Lisboa

Foto: Edson Dário
O início da cobrança de pedágio no trecho Oeste do Rodoanel Mário Covas, ontem, foi marcado por protestos e por lentidão no trânsito. Desde a meia-noite de quarta-feira, os motoristas têm que pagar R$ 1,20 para andar pela rodovia, que foi construída pelo Governo do Estado sob a alegação de ser um anel viário não-pedagiado para interligar as principais rodovias estaduais.

O “esquecimento” da promessa do tucano Covas, pelo também tucano Serra, foi o que levou um grupo de manifestantes a realizar protestos, ontem, em frente à praça de cobrança construída no trevo do Padroeira, em Osasco. “Queríamos mostrar para os motoristas que trafegavam pela rodovia o absurdo desta cobrança, e recebemos apoio”, conta Valdir Fernandes, o Tafarel, coordenador do Movimento Rodoanel Livre, composto por parlamentares e sindicatos.

O protesto foi realizado da 7h30 às 9h, e mesmo com poucas pessoas e sem bloquear pistas, conseguiu chamar a atenção, através das faixas e cartazes levados pelo grupo e que traziam a mensagem “Presente do governador Serra ao povo paulista: pedágios”.

Carros retidos
O primeiro dia de cobrança também foi marcado por lentidão em alguns pontos. Segundo a concessionária RodoAnel, empresa responsável pelo trecho Oeste, o maior acúmulo de veículos aconteceu na praça 8 (Castelo Branco- externa), sentido Interior, por volta das 8h30.

Alguns motoristas foram “pegos de surpresa” pelo pedágio e demoraram a “juntar as moedas”. Apenas no período da manhã, dez carros chegaram a ficar retidos, nas saídas para Perus e para a rodovia Castelo Branco, porque os motoristas não traziam dinheiro. Eles só foram liberados após assinarem um termo de compromisso de que iriam pagar a tarifa em prazo de 72 horas.

Novos protestos
O Movimento Rodoanel Livre anunciou novas manifestações, para amanhã, no Rodoanel. Mas, desta vez, o protesto vai ser diferente. Um comboio de carros vai pagar a tarifa usando, apenas, moedinhas de R$ 0,01, para dificultar a contagem dos funcionários. “Estamos reunindo as moedas, por meio de bancos e comércios, e pretendemos atravessar as praças de pedágio com vários carros”, afirma Tafarel.

Versão resumida de matéria publicada no Diário da Região em 18/12/08. Leia na íntegra: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=28519&search=pedágio%20guilherme%20lisboa

sábado, 13 de dezembro de 2008

Serra promete novos acessos a Osasco para compensar pedágios

Governador disse que, como "indenização" pela expansão da cobrança na Castelo, também pode construir acessos alternativos para Barueri. Prefeituras reclamam que cidades vão virar “rota de fuga”

Guilherme Lisboa

Os municípios da região podem receber acessos alternativos à rodovia Castelo Branco, como espécie de “reparo” aos danos causados pela expansão da cobrança de pedágio para todas as pistas da rodovia. O projeto de cobrança ampliada já foi aprovado pelo Governo do Estado, e o contrato com a ViaOeste, concessionária responsável pela rodovia, deve ser assinado ainda este ano. Mesmo antes do início da cobrança, a 'nova cartada' do governador José Serra já vem sendo criticada pelos motoristas da região e também pelas prefeituras.

O governador propôs discutir a construção de novos acessos, na última quarta-feira, para aliviar os prejuízos, caso sejam comprovados. “Apesar dos municípios já receberem o repasse de ISS [Imposto Sobre Serviços], vindo do pedágio cobrado na rodovia, estou disposto a sentar com as prefeituras de Osasco e Barueri para estudar alguma alternativa, se as cidades realmente se prejudicarem”, declarou.

O 'anúncio' foi bem recebido pela prefeitura de Osasco. “Acho fundamental a criação de acessos alternativos. Até porque, na maioria das vezes, as viagens são curtas, como de Barueri para Osasco. Nossa cidade, hoje, é principal pólo de origem e de destino na região”, avalia Luciano Jurcovich, secretário de Serviços Municipais. Mas ele critica a ampliação da cobrança de pedágio. “Pagar tarifa para circular dentro da nossa região não tem cabimento. E vai dificultar, ainda por cima, a integração das cidades”, reclama Luciano.

A prefeitura de Barueri também acredita que a construção de acessos alternativos pode atenuar os transtornos. “Novos acessos vão ser muito importantes”, avalia Rinaldo Honda, diretor do Demutran, que completa “mas, além disso, ainda é preciso a construção de novas ligações entre Barueri e a rodovia Raposo Tavares e entre a região do Tamboré e a rodovia Anhangüera”.

Prejuízos para a região
Para Luciano, Osasco “com certeza” vai virar rota de fuga de motoristas que vão tentar escapar do pedágio na pista expressa. “Se hoje já sofremos com os carros que fogem das pistas marginais, com o início da cobrança estendida a situação vai piorar. Além de aumentar o congestionamento no município, vai subir o índice de acidentes, já que as ruas vão ter mais carros trafegando, e o pavimento vai sofrer mais impacto”, explica o secretário.

Barueri também não está otimista com o futuro do trânsito na cidade após a implantação da cobrança ampliada. “O refluxo hoje já é muito grande. A nova medida vai causar, sim, muito transtorno, e o reflexo vai ser o congestionamento, principalmente, no Centro e nas saídas da Marechal Rondon e da Anhangüera”, destaca Honda. Ele também acredita que os moradores dos municípios vizinhos vão utilizar as ruas da cidade como “rota de fuga”. “Isto, hoje, já acontece com motoristas de Osasco e de Carapicuíba. Agora, provavelmente, os desvios vão ser feitos também pelos motoristas de Pirapora e de Santana de Parnaíba”, conclui.

Versão resumida de matéria publicada no Diário da Região em 13/12/08. Leia na íntegra: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=28425&search=pedágio%20guilherme%20lisboa